O Carteiro e o Poeta, a poesia amorosa e a antologia Entre o toque e o silêncio

Dolores Flor
Publicado em 31 de Janeiro de 2026 ás 21h 02min

O filme O Carteiro e o Poeta é uma representação delicada e profunda daquilo que chamamos de poesia amorosa em sua forma mais essencial. Não a poesia do excesso ou da idealização, mas a poesia do sentir contido, da palavra que nasce antes do gesto, do amor que aprende a existir no intervalo.

 

No filme, o amor não se impõe. Ele se constrói lentamente, através da escuta, da observação e da descoberta da linguagem. Mario ama como quem aprende a nomear o mundo. E é justamente aí que a poesia amorosa se revela como gênero: não como ornamento sentimental, mas como modo de relação.

 

A poesia amorosa, enquanto subgênero da lírica, sempre habitou esse espaço entre o desejo e a palavra. Ela não se resume à celebração do amor correspondido; ela também acolhe a espera, a timidez, a ausência, a impossibilidade e o silêncio. O filme traduz isso com precisão: o amor de Mario se diz mais pelas metáforas que ele aprende do que pelos gestos diretos que ousa realizar.

 

É exatamente esse território que a antologia Entre o toque e o silêncio propõe aos seus escritores. Assim como no filme, o amor aqui não precisa ser explicado nem resolvido. Ele precisa ser sentido, nomeado com cuidado e respeitado em seus limites.

 

Pablo Neruda, presença inspiradora tanto no filme quanto na antologia, aparece não como modelo formal, mas como referência ética e poética. Sua poesia amorosa ensina que amar é, muitas vezes, escolher a palavra certa para não ferir, para não invadir, para não calar aquilo que insiste em existir. O amor, em Neruda, vive tanto no corpo quanto na contenção.

 

Nesse sentido, o filme, o gênero poesia amorosa e a antologia se encontram em um mesmo gesto: afirmar que o amor amadurece quando encontra linguagem. Que o silêncio não é ausência de sentimento, mas uma de suas formas mais densas. E que a poesia amorosa é o espaço onde esse equilíbrio se torna possível.

 

Entre o toque e o silêncio acolhe poemas que, como o filme, compreendem que amar não é apenas tocar, é saber quando a palavra basta.

 

Sua leitura também faz parte deste diálogo. Se quiser, deixe nos comentários uma palavra, um verso ou um pensamento que tenha ficado em você após a leitura.

 

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