Versos de raiz e chão: a antologia de junho celebra a poesia popular, a memória e as vozes do povo

Dolores Flor
Publicado em 31 de Maio de 2026 ás 19h 29min

No mês de junho, a Família Literária abre espaço para uma proposta profundamente ligada à cultura, à memória e à força da palavra que nasce do povo. A nova antologia mensal terá como título “Versos de raiz e chão”, com o tema “Poesia popular, memória e vozes do povo”, convidando escritores a olharem para suas origens, suas lembranças, suas paisagens afetivas e suas histórias de pertencimento.

 

A proposta nasce inspirada na força de Patativa do Assaré, uma das vozes mais importantes da poesia popular brasileira. Poeta do sertão, da oralidade, da vida simples e da dignidade do povo nordestino, Patativa transformou o cotidiano, a seca, o trabalho, a fé, a esperança e a resistência em literatura. Sua obra nos ensina que a grande poesia também nasce da terra, da escuta, da experiência vivida e da linguagem que carrega verdade.

 

Mas a antologia de junho não pretende limitar a criação dos escritores ao cordel. Pelo contrário: a proposta é ampliar caminhos. Cada participante poderá escrever no estilo em que se sentir mais à vontade, seja em poesia livre, poesia lírica, crônica, conto, prosa poética ou cordel. O importante é que o texto dialogue com alguma raiz: uma memória de infância, uma paisagem da terra natal, uma história de família, uma voz antiga, uma experiência popular, uma lembrança do interior, uma festa tradicional, uma crença, um costume, um ofício, uma saudade ou uma vivência que revele a alma do povo.

 

A poesia popular, neste mês, será compreendida como um território amplo e sensível. Ela pode estar no ritmo do cordel, mas também pode estar na fala da avó, no cheiro do café coado, na casa de chão batido, na roça, na estrada, na cidade pequena, no quintal, na reza, no canto, na feira, no trabalho, na simplicidade de quem conta a vida com verdade. É essa força humana, afetiva e cultural que a Família Literária deseja celebrar.

 

“Versos de raiz e chão” é, portanto, um convite para escrever com pertencimento. Não é obrigatório escrever cordel. O essencial é que cada texto carregue verdade, sensibilidade e ligação com as vozes que formam nossa história.

Neste junho, a Família Literária convida cada escritor a escutar a própria raiz e transformar em palavra aquilo que nasceu da terra, da memória e do coração do povo.

 

 

 

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