A armadura que não era minha
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 07 de Julho de 2026 ás 11h 33min
A Armadura que Não Era Minha
Rosy Neves
Sinto que perdi a essência da alma.
Como quem desperta
vestida com uma armadura
forjada por mãos alheias,
pesada demais para o voo,
fria demais para o coração.
Às vezes era grande,
e eu desaparecia dentro dela,
como uma criança perdida
num castelo sem janelas.
Às vezes era pequena,
apertava meus sonhos,
machucava meus silêncios,
impedia minhas asas
de aprenderem novamente o céu.
Disseram que era proteção.
Mas toda proteção
que aprisiona a luz
transforma?se em cárcere.
E eu...
eu não nasci para o ferro.
Fui moldada pela delicadeza
com que Deus desenha as flores,
pelo sopro invisível do vento,
pela chama violeta
que purifica sem ferir.
Hoje desejo apenas
desatar cada fivela do medo,
retirar, uma a uma,
as couraças que nunca me pertenceram.
Se eu perder todas elas,
talvez me encontre.
E, quando minha pele tocar novamente
a brisa da eternidade,
minha alma reconhecerá
o próprio nome,
como um pássaro
que, depois de longa tempestade,
descobre que o céu
jamais deixou de esperá?lo.