A beira das carevelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 22 de Julho de 2026 ás 12h 18min
À Beira das Caravelas
Rosy Neves
Os olhos dele ainda estão perdidos
nas caravelas que partiram de Portugal.
Nelas seguiram promessas, canções,
e corações bordados de esperança.
As ondas sombrias, silenciosas,
engoliram almas partidas em sonhos;
cada espuma do mar guardou um nome,
cada maré levou um adeus.
Mas, acima das tempestades,
Miguel, o Arcanjo de olhos de luz,
ergue sua espada como um farol celeste,
rasgando a escuridão dos mares sem fim.
Que ele tenha compaixão
das almas que nunca encontraram um porto,
dos navegantes que confiaram seus destinos
ao mistério das águas e do vento.
E ele ainda permanece, século após século,
à beira-mar, imóvel como uma antiga oração,
vendo as caravelas partirem em silêncio
para um destino incerto, além do horizonte.
Talvez exista um porto de luz
onde não haja lágrimas nem despedidas,
onde os mares descansem em paz
e os sonhos jamais naufraguem.
Que Miguel, o Arcanjo,
estenda suas asas sobre cada embarcação,
guie os perdidos entre as estrelas
e conduza, com infinita misericórdia,
todas as almas ao eterno cais da luz.