A beleza dos fins
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Maio de 2026 ás 11h 39min
A Beleza dos Fins
Nem todo fim é motivo de tristeza ou dor.
Olha apenas para as folhas no outono:
elas não caem nem morrem com pesar ou amargura,
apenas aprendem a arte de se deixar ir,
descendo em movimentos lentos e graciosos,
vestidas de uma elegância dourada e suprema.
Há uma beleza secreta e profunda,
uma espécie de doçura mística,
nessas despedidas caladas e silenciosas.
O vento, sábio e invisível,
leva embora suavemente
tudo aquilo que já viveu,
tudo o que já cumpriu fielmente o seu destino.
E a árvore, ereta e imóvel na terra, compreende,
no seu silêncio de séculos,
que perder também é um modo de preparar-se,
é esvaziar-se para receber,
é fazer espaço para poder florescer outra vez.
As folhas, leves e sábias,
ainda dançam no ar antes de tocar o chão,
como se soubessem, em sua natureza,
que até o ato de dizer adeus
pode ser suave, leve e belo.
Elas cobrem o solo com um tapeta rico de ouro antigo,
enquanto o mês de outubro chega e acende,
devagar e com carinho,
pequenas e cálidas fogueiras de nostalgia
nos jardins e nas almas do mundo.
Nem todo fim é feito de escuridão ou vazio.
Às vezes, o universo, com a sua justiça divina,
arranca de nós, sem violência mas com firmeza,
o excesso do verão, o peso do que já passou,
apenas para que a nossa alma, enfim, respire,
e possa sentir o frio puro e sagrado
que acompanha todas as grandes mudanças.
E mesmo quando ficam despidas, nuas e expostas,
as árvores não se curvam nem se abatem:
continuam firmes, olhando alto para o céu infinito,
com os seus galhos erguidos para o alto,
tal como braços que se elevam numa prece silenciosa
de confiança e entrega.
Porque existe uma coragem imensa e rara
em permanecer de pé, forte e tranquilo,
quando tudo o que conhecemos e amamos parece partir.
E talvez a verdadeira esperança seja exatamente isto:
ter a calma e a fé de acreditar,
mesmo diante da queda e da mudança,
que depois do outono inevitável,
e depois do repouso necessário do inverno,
a vida sempre encontra, com toda a sua força,
uma maneira nova, perfeita e surpreendente
de florir.