A bússola entre as névoas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 09 de Julho de 2026 ás 05h 00min
A Bússola Entre as Névoas
Rosy Neves
Ele ainda é a minha bússola,
mesmo com os olhos apagados
na sombra das névoas.
Há um silêncio antigo
caminhando sobre o Bósforo invisível,
como se a madrugada tivesse esquecido
o caminho das estrelas.
Estou aflita.
O vento não responde ao meu nome,
as águas perderam a memória do cais,
e os remos da minha alma
já não encontram a corrente da esperança.
A névoa que ele respira
cobriu o céu do meu porto.
As gaivotas recolheram o canto,
os minaretes guardaram as orações,
e até a lua, envergonhada,
escondeu o rosto atrás das montanhas do Oriente.
Ai, meu Deus!
Se ainda houver uma centelha
escondida nas cinzas do seu olhar,
assopra sobre ela o Teu sopro eterno.
Faz das lágrimas um rio de misericórdia,
e do rio, um caminho.
Que o farol volte a despertar,
que as névoas aprendam a partir,
e que os olhos que hoje dormem
reencontrem a luz que nunca lhes pertenceu,
mas sempre veio de Ti.
Então seguirei navegando.
Porque uma bússola verdadeira
não deixa de apontar para o Norte
quando o céu escurece.
Ela apenas espera, em silêncio,
o instante em que a primeira estrela
rompe a noite
e devolve ao marinheiro
a coragem de atravessar o infinito.