A chuva da alma

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 27 de Maio de 2026 ás 09h 55min

A Chuva e a Alma

 

A chuva cai mansamente,

suave e contínua,

sobre a redonda esfera do jardim,

ferindo a beleza das flores frágeis e abertas,

que, curvadas ao peso das gotas,

choram a sua dor em absoluto silêncio.

 

Há uma angústia antiga,

uma sombra que vem de muito longe,

afundada nas profundezas do meu peito,

pesada e úmida como o próprio tempo.

 

Silêncio… silêncio…

Que a chuva desce lenta e solene,

caindo sobre os ombros cansados e curvados do mundo,

como se o próprio universo

também se deixasse levar pela tristeza.

 

Borboletas melancólicas e tímidas,

escondidas sob a proteção das folhas escuras,

derramam pérolas raras feitas de perfume,

que se espalham pela penumbra fria da tarde cinzenta.

 

E ali, encolhidas e trêmulas, elas sonham…

Sonham com o amanhã,

temendo que, quando a luz voltar,

encontre este jardim que tanto amam

totalmente devastado,

desfeito e esquecido.

 

É tudo pura angústia.

É tudo puro silêncio.

E a chuva…

Ah, a chuva…

Ainda cai, continua caindo,

eterna e infinita,

como se nunca mais fosse parar.

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