A coelhinha e seus filhotes
| | 2026/10 Antologia Era uma vez uma palavra | Maria LurdesPublicado em 09 de Outubro de 2026 ás 19h 44min
Conto infantil
A coelhinha e seus filhotes
Era uma vez uma coelhinha e seus cinco filhotes. Eles estavam dormindo em sua pequena casa, que era coberta de folhas de capim.
Certo dia, começou a chover, e a água molhou toda a casa, pois o capim já estava muito velho. A coelhinha pegou seus filhotes e ficaram todos juntos em um cantinho da casa, esperando a chuva passar.
Quando a chuva parou, a coelhinha foi à casa do vizinho, o senhor Tatu, e pediu ajuda:
— Por favor, senhor Tatu, preciso da sua ajuda! Ontem à noite, choveu muito e molhou toda a minha casa. Será que o senhor pode ir até lá para colocar folhas novas de capim e cobrir minha casa? Meus filhotes ainda são pequenos e não podem me ajudar.
O senhor Tatu respondeu:
— Vou, sim! Espere só um pouquinho. Vou acender o fogo para esquentar minha casa também.
Enquanto o senhor Tatu esquentava sua casa, a coelhinha foi embora. Enquanto esperava a chegada dele, colocou a lenha para secar, pois estava toda molhada.
Quando a lenha secou, a coelhinha acendeu o fogo no fogão e foi preparar alguns alimentos para seus filhotes, que já estavam com fome. Eles eram muito pequenos e ainda não conseguiam fazer quase nada sozinhos.
Um dos filhotes estava tremendo, pois havia se molhado muito durante a chuva. A coelhinha o pegou e o colocou perto do fogo para se aquecer. Ele tremia bastante, mas logo o senhor Tatu chegou e começou a cobrir a casa da coelhinha com folhas novas de capim.
Enquanto isso, ela deu comida aos filhotes. Quando o sol começou a esquentar, a coelhinha levou os pequenos para fora de casa e os deixou no quintal.
Foi uma alegria só! Eles ficaram brincando e correndo para lá e para cá. O filhote que estava tremendo por causa da umidade logo se recuperou.
O senhor Tatu terminou de cobrir toda a casa, e a coelhinha lhe agradeceu. Depois, pegou um pouco de seu alimento e o ofereceu ao vizinho, como forma de agradecimento pela ajuda.
No final do dia, a coelhinha levou seus filhotes para passear. Caminhou com eles pela praça e, depois, foi à casa de sua amiguinha, que se chamava Tartaruga.
Quando chegou à porta, chamou a amiga uma, duas vezes. A tartaruga respondeu:
— Já estou indo!
A porta, porém, continuava fechada. A coelhinha e seus filhotes ficaram esperando que a tartaruga abrisse, mas ela não aparecia.
Depois de algum tempo, a tartaruga respondeu novamente:
— Já estou indo!
A coelhinha continuou esperando, mas a porta permanecia fechada.
Os filhotes começaram a reclamar:
— Mamãe Coelhinha, está demorando muito! Já estamos cansados de tanto esperar. Vamos embora!
A coelhinha respondeu:
— Não se preocupem! Tenham calma e esperem mais um pouco. A qualquer momento, minha amiga vai abrir a porta.
Um dos filhotes perguntou:
— Mamãe Coelhinha, como se chama sua amiga?
A mamãe respondeu:
— O nome dela é Tartaruga.
O filhote exclamou:
— Ah, mamãe! A tartaruga não é aquela que anda bem devagarinho? Por isso está demorando tanto! Ela não vai abrir a porta hoje! Já é noite. Chegamos aqui cedo, e agora já está escuro. Vamos embora!
Os outros filhotes começaram a gritar:
— Queremos ir embora! Amanhã voltaremos!
A coelhinha, teimosa, não queria ir embora, mas, de repente, resolveu partir. Chamou seus filhotes, e todos seguiram para casa.
Quando já haviam caminhado bastante, a tartaruga finalmente apareceu e abriu a porta. Ao perceber que a amiga já estava longe, começou a gritar:
— Amiga! Volte! Volte!
Mas a coelhinha nem sequer a ouviu, pois já estava muito distante.
Quando a coelhinha chegou à sua casa, alguém bateu à porta. Ela saiu para ver quem era e, para sua surpresa, encontrou a dona Cobra.
A coelhinha não queria abrir a porta, pois seus filhotes tinham muito medo da cobra. Então, colocou-os dentro do quarto e disse:
— Fiquem aqui! Vou conversar com a dona Cobra, pois ela não costuma vir aqui.
A coelhinha foi atender à visita e perguntou:
— Pois não! O que deseja?
A dona Cobra respondeu:
— No final de semana, vou fazer uma festa em minha casa e vim convidá-la para participar. Você e seus filhotes vão gostar! Haverá muitos amigos, muita comida, bastante docinhos e brinquedos. Eles vão adorar!
A coelhinha tentava explicar que talvez não pudesse ir, mas a dona Cobra não a deixava falar.
Enquanto isso, os filhotes estavam com medo de que a mamãe Coelhinha aceitasse o convite. A dona Cobra insistiu tanto que, finalmente, a coelhinha conseguiu responder:
— Sim, eu aceito o convite!
Depois que a visita foi embora, a coelhinha foi conversar com os filhotes e disse:
— Vamos à festa! Não vai acontecer nada de ruim. Fiquem tranquilos, pois vou protegê-los. Vai ser bom! Vocês vão se divertir, e haverá muitas coisas boas.
No dia seguinte, a coelhinha acordou bem cedo para cuidar da casa e sair para comprar frutas e verduras, pois era isso que seus filhotes mais gostavam de comer.
Ela estava muito animada para ir à festa, mas, ao mesmo tempo, sentia-se tensa por causa dos filhotes.
Quando o dia da festa se aproximou, a coelhinha começou a se preparar. Comprou tudo de que precisava para que ela e seus filhotes estivessem bem-arrumados.
Finalmente, chegou o dia tão esperado: o dia de ir à casa da dona Cobra!
No final da tarde, a coelhinha se arrumou, deixou seus filhotes bem-bonitos e cheirosos e saiu para a festa.
Ao chegar lá, foi recebida pela dona Cobra, que estava muito feliz. Os filhotes ficaram um pouco assustados, pois ainda tinham medo da dona Cobra. Entretanto, ela estava muito simpática e os levou para brincar com os outros convidados que já estavam no local.
Havia o cachorro, o gato, o pato, a galinha e o sapo. Tinha até um peixinho! Mais tarde, foram chegando os convidados que ainda faltavam: a raposa e os macaquinhos.
A coelhinha permanecia sempre de olho em seus filhotes.
Chegou, então, o momento mais esperado da festa: a hora da comilança!
Foi um verdadeiro alvoroço! Todos queriam comer, e quem havia chegado por último acabou sendo um dos primeiros a se servir.
Mas quem será que chegou por último?
Era ela, a querida tartaruga, que andava tão devagarinho que, mesmo de longe, já sentia o cheiro da comida!
Maria Lurdes Joana Ribeiro
Comentários
Na fábula de Maria de Lourdes, alguns preceitos ficam bastante claros e evidentes. São eles: SOLIDARIEDADE (quando o tatu se prontifica a ajudar); PACIÊNCIA (na visita que faz à tartaruga); CONVIVÊNCIA (quando recebe a visita da cobra); UNIÃO (a festa com os diversos animais); E ainda: COOPERAÇÃO, GRATIDÃO, RESPEITO ÀS DIFERENÇAS. Preceitos estes que devemos transmitir a todas as crianças.
Muito bom, querida Escritora! A menina que sempre gostou de contos infantis leu com curiosidade e interesse e a mulher que continua com os mesmos gostos se encantou. Parabéns!