Isso dói no silêncio da alma,
pois o amor cria presença viva;
mesmo ausente em carne e gesto,
tua memória em mim respira.
Teu lugar persiste no tempo,
nos hábitos, nos gestos guardados;
e meu coração, paciente,
reorganiza espaços calados.
Não é dor de clara partida,
nem ruptura que a vida anuncia;
é a dor funda do inacabado,
que suspenso em mim principia.
Aquilo que nunca termina
e tampouco encontra destino
fica ardendo lento na alma,
como chama velada em desatino.