“A dupla ordem universal”
Irmãos, dupla universal
Incesto nomeado como templo sagrado
Para sustentar o poder de um mundo desajustado
Manter poder é manter a servidão.
Corpos em espera
Não por desejo
Mas por destino escrito
Em títulos, terras e heranças.
Tudo girava em torno da propriedade
Dos nomes que não podiam se perder
Da sexualidade transformada
Em instrumento de governo.
Era a cosmo visão a dualidade
Sol e lua
Masculino e feminino
Amor transformado em cálculo.
A fertilidade não era mistério
Era estratégia.
A carne, uma engrenagem.
O ventre, um território.
O Estado respirava
Através dos corpos
A intimidade se tornava lei
Para garantir a coesão, continuidade e controle.
Assim o sagrado se confundia com o poder
E o amor, quando existia
Era apenas um detalhe
Na arquitetura do domínio.