“A dupla ordem universal”

Poemas | Marlete Dacroce
Publicado em 21 de Janeiro de 2026 ás 13h 56min

“A dupla ordem universal”

 

Irmãos, dupla universal
Incesto nomeado como templo sagrado
Para sustentar o poder de um mundo desajustado
Manter poder é manter a servidão.

 

Corpos em espera
Não por desejo
Mas por destino escrito
Em títulos, terras e heranças.

 

Tudo girava em torno da propriedade
Dos nomes que não podiam se perder
Da sexualidade transformada
Em instrumento de governo.

 

Era a cosmo visão a dualidade
Sol e lua
Masculino e feminino
Amor transformado em cálculo.

 

A fertilidade não era mistério
Era estratégia.
A carne, uma engrenagem.
O ventre, um território.

 

O Estado respirava
Através dos corpos
A intimidade se tornava lei
Para garantir a coesão, continuidade e controle.

 

Assim o sagrado se confundia com o poder
E o amor, quando existia
Era apenas um detalhe
Na arquitetura do domínio.

 

 

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