A folha que desbotou no último outono
Outono | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 16 de Outubro de 2026 ás 07h 21min
A Folha que Desbotou no Último Outono
— Rosy Neves
Eu sou a folha que desbotou no último outono,
aquela que o vento esqueceu de levar,
perdida entre as raízes do tempo,
sem saber se ainda podia sonhar.
Fui verde, um dia…
Tive a esperança bordada nas veias,
dancei com as brisas da primavera
e bebi a luz nas manhãs alheias.
Mas o outono chegou em silêncio,
vestido de névoas e de solidão,
e roubou-me, devagarinho, as cores
que eu guardava dentro do coração.
Agora, sou apenas uma lembrança
sob as árvores que ainda respiram sonhos,
enquanto os galhos, cansados de espera,
sussurram segredos aos céus tristonhos.
Ah, se as árvores soubessem
quantas primaveras morrem em mim!
Talvez chorassem folhas douradas
sobre o meu destino sem fim.
Mas há uma raiz que ainda me prende
à terra escura onde adormeci;
um fio de vida, quase invisível,
que nem mesmo o inverno arrancou de mim.
E quando a noite descer sobre os bosques,
quando a lua vier me procurar,
talvez eu me transforme em estrela
e aprenda, enfim, a voltar a brilhar.
Porque até uma folha desbotada
tem segredos que o tempo não desfaz…
E há almas que morrem no outono
sem deixar de sonhar com a paz.
Eu sou a folha que desbotou no último outono…
Mas, no silêncio das árvores adormecidas,
ainda escuto uma primavera distante
chamando meu nome
do outro lado da vida.