A metamorfose do meu Eu lírico

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 19 de Maio de 2026 ás 12h 41min

A Metamorfose do Meu Eu Lírico

 

de Rosy Neves

 

A metamorfose do meu Eu Lírico

é uma borboleta louca pelos ares,

bebendo o azul das alturas

com asas bordadas de tempestades.

 

Ela não conhece fronteiras,

nem relógios, nem portos finais.

Dança entre nuvens partidas,

como quem procura antigos sinais.

 

Há fogo em suas antenas frágeis,

há silêncio em seu bater de asas,

como se carregasse o segredo

das estrelas cansadas.

 

Ontem fui casulo escuro,

prisão de inverno e saudade,

mas hoje rompi meus muros

na febre da liberdade.

 

E voo…

Voo sobre rios invisíveis,

sobre jardins que ninguém viu,

sobre a tristeza do mundo

que dentro do peito dormiu.

 

Minha alma desaprendeu o chão.

Agora pertence ao vento,

às auroras desgovernadas,

ao delírio do firmamento.

 

Ó borboleta do meu íntimo,

não temas perder-te do céu —

há beleza nos seres errantes

que transformam dor em véu.

 

Pois toda metamorfose

é também uma despedida:

morre a sombra que eu era

para nascer outra vida.

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