A minha incompreensão
Pensamentos | Poesia Existencial | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 27 de Março de 2026 ás 16h 29min
Ó meu Deus…
o que há além das estrelas?
Por que este chamado silencioso
me puxa o olhar para o alto
como quem reconhece um lar esquecido?
— Filho, por que choras ao contemplar o infinito?
Choro porque algo em mim se quebra
toda vez que a noite acende suas luzes.
É saudade… mas de quê, meu Deus?
De onde vem essa dor que não tem nome?
— E se não for dor, mas memória?
Memória de quê, Senhor?
Nunca estive lá… ou estive?
Por que meu peito aperta
como se eu tivesse deixado pedaços meus
espalhados entre as constelações?
— Talvez tua alma lembre
o que teus olhos ainda não podem ver.
Então existe algo além?
Além desse brilho distante, frio, inalcançável?
Existe um lugar onde essa saudade descansa?
Ou estou condenado a sentir eternamente
o vazio do que não compreendo?
— Há mistérios que não são castigo,
mas convite.
Convite para quê, meu Deus?
Para sofrer em silêncio?
Para buscar sem jamais encontrar?
— Para aprender a amar o invisível
com a mesma fé com que se ama o que se toca.
Mas dói…
dói olhar o céu e não poder atravessá-lo.
Dói sentir que pertenço a algo maior
e ainda assim estar preso aqui…
— E se o “além das estrelas”
não for um lugar distante,
mas algo que cresce dentro de ti?
Então… essa saudade…
não é ausência?
— Não.
É semente.
E por que, meu Deus,
ela floresce em lágrimas?
— Porque toda alma que desperta
aprende primeiro a chorar
antes de compreender a luz.
Comentários
Parabéns
ADAILTON LIMA | 27/03/2026 ás 21:00