A morte não é nada
Canção | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 16 de Fevereiro de 2026 ás 15h 31min
A água era fria,
mas a margem oposta
brilha.
Não há dor aqui,
nenhum peso nos ombros,
apenas a luz.
A morte é um rio pequeno,
uma travessia rápida
sob um céu sereno.
Vocês ainda lutam
com as margens,
com o barro e a correnteza.
Eu passei.
O ar aqui é feito de música,
silêncio pleno.
Eu sou o reflexo
na água que vocês ainda temem,
mas agora estou na nascente.
Vocês,
no mundo das criaturas que se movem,
com o tempo medido em batidas.
Eu,
no abraço do Criador,
onde o tempo não tem nome.
Não sintam falta,
apenas olhem para cima
quando a névoa baixar.
Eu não morri.
Eu apenas mudei de casa,
para onde a vista nunca acaba.