A névoa do outono
Outono | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Agosto de 2026 ás 07h 10min
A Névoa do Outono
Rosy Neves
As árvores ainda choram
com saudades daquele outono preguiçoso,
que dormia nos galhos
como um velho sonho dourado,
embalado pelo vento
nas tardes sem pressa.
As folhas ainda procuram
os caminhos que o tempo apagou,
e os galhos nus, silenciosos,
parecem braços erguidos ao céu,
implorando pelo retorno
de uma estação que não voltará.
Hoje, tudo…
absolutamente tudo é névoa.
Uma névoa densa,
negra como a noite
que guarda os teus olhos tristes,
como se dentro deles
houvesse um inverno
que ninguém consegue alcançar.
E eu caminho devagar
por entre árvores adormecidas,
procurando no chão
as últimas folhas do nosso outono.
Mas encontro apenas silêncio.
Silêncio e saudade.
Talvez o amor seja isso:
uma estação que parte sem despedida
e deixa na alma
um bosque inteiro chorando.
E quando a noite desce,
a névoa cobre tudo…
menos a lembrança
dos teus olhos.
Porque há olhos
que mesmo perdidos na escuridão
continuam acesos
para sempre
dentro de nós.