A Pedra no Caminho da Minh’alma
Poemas | 2025 - Antologia Ingrid Mohr e Convidados - A arte de viver | Romeu DonattiPublicado em 18 de Janeiro de 2026 ás 20h 41min
No meio do caminho havia uma pedra
não uma pedra menor, tampouco ridícula,
encravada em mim, cruel e soberana,
na vesícula, meu cárcere de dor profana.
Não era uma qualquer, não era risível,
era um monstro de angústia indizível,
um peso de espasmos, um nó de agonia,
que aos poucos, meu corpo extenuaria
Doze horas de fogo, doses de pavor,
Doze horas de exaustão e sofrimento.
Jamais esquecerei tal acometimento
Nunca me esquecerei desse suplício,
desse labirinto de aflição e lamento
sem clemência, que a vil pedra trazia,
sangrava por dentro e ninguém ouvia.
E o que me diz a pedra no caminho?
Que a rosa, bela, esconde o espinho,
e o riso mais doce carrega um vinho
de lágrimas antigas, amargas e fundas,
que escorrem no peito e se afogam juntas.
O que me diz a pedra no abismo?
Que o fel e o mel alternam o protagonismo
um queima, outro acalma,
um é chaga, outro é palma,
um é grito, outro é calma
Um é amargura, o outro doçura
Mas hoje, sem a pedra, sigo em frente,
com cicatrizes de um fogo incandescente.
Porque a dor que não mata esculpe e lapida,
e no fim, até a dor ensina a real beleza da vida.