A Pequena Flor

Crônicas | 2025 - Antologia Jose Hilton Rosa e Convidados | Rose Correia
Publicado em 27 de Novembro de 2025 ás 12h 53min

Sinopse: No coração de um vale verdejante, onde o rio murmura entre pedras e as folhas dançam ao vento, uma pequena flor cresce quase despercebida. É preciso ter olhos de águia para notá-la, mas quem a vê descobre sua beleza silenciosa e sua força serena. Solitária, porém plena, ela revela que o verdadeiro valor não depende do tamanho, e sim da coragem de existir do próprio jeito.

 

A Pequena Flor 

 

No meio do vale verdejante, onde a natureza parecia estender um tapete vivo para celebrar cada amanhecer, o rio passava tímido entre as pedras. Corria como quem pede licença, desviando-se dos obstáculos com a paciência de quem já compreendeu o tempo. Nos galhos das árvores, os passarinhos faziam festa, procurando abrigo e anunciando, em coro, que mais um dia havia começado.

As árvores, sempre generosas, cresciam altivas. Bebiam da chuva que descia das nuvens cansadas de vagar pelo céu, e ofereciam sombra, morada e música para quem ali se detivesse. O sol, fiel àquele pedaço de mundo, surgia todas as manhãs, trazendo o calor que abraçava cada ser vivo. Não havia silêncio absoluto no vale; tudo ali respirava, movia-se, existia. Até as folhas que se despediam dos galhos pareciam celebrar o vento em sua breve dança antes de tocar o chão.

Foi entre essa sinfonia discreta que avistei uma pequenina flor. Só quem tem olhos de águia, desses que alcançam o que o olhar comum não capta, poderia percebê-la. Era minúscula, quase escondida, como se preferisse deixar a grandiosidade ao mundo ao redor. Mas bastava se aproximar para sentir que ela guardava uma beleza que não cabia em explicações. Uma força silenciosa, profunda, dessas que só o que é genuíno carrega.

Solitária, sim. Mas jamais triste. Ela parecia existir com a leveza de quem conhece o próprio valor. Não competia com as árvores, não invejava o brilho das flores maiores, não pedia companhia. Apenas estava — inteira, presente, suficiente.

Ao observá-la, compreendi que algumas existências não precisam de plateia. Algumas vidas florescem no silêncio, e justamente por isso revelam uma grandeza que muitos não veem. A pequena flor não tentava ser o que não era. E talvez aí residisse sua sabedoria.

Porque, naquele vale que nunca adormecia, ela me ensinou sem palavras que a força não está no tamanho, mas na consciência de si.

 

Moral: Quem sabe o próprio valor não precisa ser grande para ser grandioso.

A verdadeira força está na autenticidade — em florescer do próprio jeito, mesmo que o mundo não esteja olhando.

 

Por: Rose Correia 

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