A rainha e o lótus branco
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 23 de Março de 2026 ás 09h 50min
A rainha caminhava em silêncio,
vestida de noite e mistério,
com estrelas presas nos cabelos
e segredos antigos no olhar.
Seu trono não era de ouro,
mas de sombras suaves e vento,
onde o tempo se curvava lento
ao sopro do seu respirar.
No lago escuro do mundo,
onde a lua se deitava inteira,
nasceu um lótus branco —
puro como a primeira esperança.
Diziam que florescia apenas
para almas que já haviam sangrado,
para corações que, em ruínas,
ainda ousavam amar.
A rainha se ajoelhou diante dele,
não como soberana,
mas como quem busca abrigo
no que ainda é sagrado.
Tocou suas pétalas de luz
com mãos que já foram guerra,
e ali, por um instante,
toda dor se fez silêncio.
O lótus a reconheceu.
E na noite mais profunda,
onde nem os deuses ousam olhar,
a rainha e a flor
tornaram-se o mesmo milagre:
beleza que nasce
onde tudo parecia acabar.