A TRADUÇÃO DO AMOR NO SÉCULO XXI
Poemas | | Isolti CossetinPublicado em 01 de Julho de 2026 ás 07h 59min
A TRADUÇÃO DO AMOR NO SÉCULO XXI
Como traduzir o amor
neste século apressado?
Talvez não seja a língua que mudou,
mas os ouvidos.
Falamos de eternidade
enquanto olhamos para a próxima janela.
Prometemos presença
com os dedos distraídos sobre uma tela.
Nunca estivemos tão conectados.
Nunca estivemos tão de passagem.
O amor chega.
Ainda chega.
Encontra corações acelerados,
agendas lotadas,
medos antigos vestidos de modernidade.
Mas algo acontece pelo caminho.
O encanto não aprende a criar raízes.
O desejo confunde-se com urgência.
A dificuldade é confundida com fracasso.
E a partida,
com liberdade.
Então o amor,
que antes sobrevivia a distâncias,
silêncios e estações,
agora sucumbe ao primeiro desencontro,
ao primeiro tédio,
à primeira imperfeição.
Talvez a tragédia do nosso tempo
não seja a falta de amor.
Talvez seja a falta de permanência.
Porque amar continua sendo fácil
por uma tarde,
por uma estação,
por algumas fotografias felizes.
Difícil é permanecer
quando a novidade se despede
e a realidade senta-se à mesa.
O amor do século XXI
não morreu.
Continua batendo à porta,
continua procurando abrigo.
Mas, muitas vezes,
encontra casas bonitas demais
para acolher a desordem de dois corações.
E parte.
Não por falta de sentimento.
Mas por falta de quem fique.