A vassoura das estrelas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 06 de Agosto de 2026 ás 17h 21min

A Varredora das Estrelas
 
Rosy Neves
 
Ela varria cinzas de estrelas
na vasta imensidão do céu,
como quem recolhe as lembranças
de constelações que o tempo esqueceu.
 
Sempre silenciosa.
Tão silenciosa
que o próprio vento continha o fôlego
quando ela passava.
 
Ninguém ousava dizer o seu nome.
Alguns afirmavam
que ele não possuía pronúncia alguma;
outros juravam
que jamais fora escrito
em livro algum do universo.
 
Seu nome não era para ser gritado.
 
Era feito de brisa,
de luz adormecida,
de oração antiga.
 
Devia apenas ser sussurrado,
como um cântico sagrado
que sobe aos céus
sem perturbar o repouso das estrelas.
 
Ela seguia desperta,
sempre ativa,
sempre atenta,
 
empunhando sua vassoura de luz
para limpar os caminhos celestes,
enquanto o nevoeiro do céu
vestia seus ombros
com um manto de eternidade.
 
Dizem que, quando uma estrela cai,
não é a sua morte.
 
É apenas uma centelha esquecida
que ela recolhe com infinita delicadeza,
para que, ao amanhecer do universo,
os jardins da eternidade
voltem a florescer de luz.
 
E, se alguma noite
o silêncio parecer mais profundo que o costume,
não tenhas medo.
 
Talvez ela esteja passando,
varrendo as cinzas do infinito,
enquanto o céu, reverente,
sussurra o seu nome
que nenhum lábio humano
jamais aprenderá a pronunciar.

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