A Vida no Interior
| | 2026/06 Antologia Versos de raiz e chão | Marlete DacrocePublicado em 19 de Junho de 2026 ás 12h 09min
A Vida no Interior
Cordel
No seio da mata fechada
Em floresta tão imensa
Às vezes tudo é silêncio
Noutras, música intensa
A passarada cantando
Forma hino sua presença.
Tem muriçoca e serpente
Tem onça a rondar o chão
Tem malária que assombra
E aperta o coração
Mas quem vive nesse canto
Tem amor e gratidão.
Mesmo com tantos perigos
Com luta e com dissabor
Há um encanto escondido
Que brota com mais vigor
Pois a vida no interior
Parece ter mais sabor.
Para a criança era festa
Era tempo de brincar
Subir alto nas árvores
Nos cipós se balançar
Entre capins cortantes
Sem medo de se arriscar.
A pele até se feria
Misturada ao suor ardente
Mas a inocência sorria
Livre, feliz e contente
Entrar nos rios sem medo
Era algo muito frequente.
Ser criança do interior
Era viver sem temor
Descobrindo a natureza
Com coragem e com amor
Cada dia uma aventura
Cada canto uma cor.
A vida no interior
Era ter um chão na mão
Plantar, cuidar da semente
Colher com dedicação
Do trabalho vinha o sustento
Da esperança, a direção.
Mas as chuvas torrenciais
Chegavam sem avisar
Destruíam as lavouras
Faziam sonhos afundar
Na floresta virgem e escura
Difícil era prosperar.
Carros e tratores fortes
Na lama iam parar
Atolados pelos caminhos
Sem ninguém para ajudar
A distância e o isolamento
Faziam o povo chorar.
Muitas famílias sofreram
Com promessas sem valor
Foram deixadas de lado
Em meio à mata só dor.
Era preciso manter acesa
A chama da fé e do amor.
Assim era a vida no interior
Entre a luta a esperança,
Que aguça nossa memória
A coragem como herança.
De um povo forte e valente,
Que viveram a perseverança.
Comentários
Marlete se aventurou no cordel. Como primeira amostra, ficou belíssimo!