A voz do sentinela

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Maio de 2026 ás 11h 09min

A Voz do Sentinela

 

 

A voz do sentinela ainda ecoa

nas vielas nubladas do infinito,

como um sino perdido

entre galáxias adormecidas.

 

Há névoa nos corredores do cosmo,

e estrelas febris tremem

sobre os telhados da noite.

 

Os ventos carregam segredos antigos,

escritos nas asas dos arcanjos.

São eles —

os guardiões de olhos nebulosos,

profundos como mares sem margens,

acesos como o sol

quando incendia o horizonte do universo.

 

Eles observam a humanidade

com silêncio grave,

como quem contempla crianças

brincando na beira do abismo.

 

E seus mantos celestes

arrastam poeira de constelações

pelas estradas do céu.

 

Cada olhar deles

é uma aurora e uma ruína,

um clarão sagrado

rasgando a carne da eternidade.

 

Cuidado...

Cuidado...

Não despertem os antigos ecos

que dormem atrás das estrelas.

Não abram as portas ocultas

das nebulosas esquecidas.

 

Pois há sombras vivas

caminhando entre os planetas,

há vozes escondidas

na arquitetura do vazio.

 

E o sentinela continua chamando,

sozinho,

na vastidão sem fim:

— Humanos de barro e sonho,

guardem suas almas da noite profunda...

pois nem toda luz do céu

nasceu para salvar.

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