Acena criança para as estrelas
| Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 07 de Março de 2026 ás 13h 21min
Acena criança para as estrelas!
Um pequeno gesto
na vastidão escura.
Acena!
Tua mão minúscula
contra o infinito silêncio.
Lá longe,
além do azul tênue
que veste o nosso dia,
o convite cintila.
Nas nebulosas
cores que a Terra não conhece
pintam véus de poeira cósmica.
E nelas,
eternas,
navegam almas de luz,
barcos feitos de fogo frio.
São navegantes
de um mar sem margens,
onde a água é tempo
e as ondas são galáxias.
Outros mundos giram lentos,
promessas de paisagens estranhas,
rios de prata líquida,
montanhas de cristal púrpura.
Acena, criança!
Eles podem te ver,
ou talvez sintam o calor
do teu pequeno desejo de ir.
O universo responde
com um piscar mais forte,
um sussurro de luz antiga.
Não tenhas medo da escuridão,
ela é apenas o tecido
onde as estrelas bordam seus sonhos.
Cada ponto de luz
é um farol,
um porto esperando,
uma história ainda não contada.
Acena,
com a fé pura
de quem ainda não aprendeu a duvidar do impossível.
Pois quem acena para o cosmos
é, por um instante,
parte da sua viagem.
Tu és um eco minúsculo
na grande sinfonia estelar,
um ponto de calor
no frio grandioso.
Acena, acena,
até que o sol se levante,
e a promessa da noite
se recolha
no azul do amanhã.
Mas guarda o gesto,
a lembrança daquela imensidão,
onde és bem-vindo,
navegante em potencial,
entre os mares de estrelas.