Acena menina
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 08 de Abril de 2026 ás 14h 11min
Acena, menina, para as estrelas—
ergue teus olhos como quem abre janelas
numa casa esquecida pelo tempo,
e deixa que o silêncio te ensine a linguagem do infinito.
As estrelas…
ah, as estrelas são navios encalhados
no mar vasto do cosmo,
com velas rasgadas de luz antiga
e mastros feitos de sonhos que não chegaram à margem.
Acena para elas, menina,
como quem chama por viajantes perdidos,
como quem reconhece, sem saber por quê,
um lar que nunca pisou.
Talvez, lá dentro dessas luzes distantes,
durmam marujos cósmicos,
enrolados em conchas de sal e eternidade,
guardando nos olhos mares que não existem,
e histórias que o tempo esqueceu de contar.
Eles talvez escutem teu gesto—
um aceno leve, quase suspiro,
atravessando a noite como um fio de esperança,
rompendo o véu das galáxias adormecidas.
Acena, menina…
pois teu gesto é uma ponte invisível
entre o agora e o nunca,
entre o mundo que te prende os pés
e o universo que te chama pelo nome que ainda não sabes.
Quem sabe um desses navios de luz
desperte do seu encalhe silencioso,
e seus marujos, feitos de poeira e memória,
ergam-se das conchas salgadas
para responder ao teu chamado?
Quem sabe, menina,
não és tu também um desses navios—
perdida entre mundos,
com o coração ancorado em perguntas
e a alma navegando por mares invisíveis?
Acena mais uma vez…
com ternura, com coragem,
como quem acredita no impossível
mesmo sem provas,
mesmo sem retorno.
Porque há mistérios que só respondem
aos gestos mais simples.
E talvez, só talvez,
num canto esquecido do cosmo,
um marujo desperte, sorria,
e devolva teu aceno—
com uma estrela que, por um instante,
brilha mais forte…
como se tivesse reconhecido você.