Aderiva em um oceano cósmico

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 02 de Abril de 2026 ás 16h 46min

Eu estou em um oceano à deriva,

onde as águas murmuram antigos segredos,

e o vento, como um lamento esquecido,

rasga o silêncio do meu peito.

 

Meu barco — cansado de tempestades —

geme sob o peso das ondas,

como se cada gota fosse memória,

como se cada maré fosse saudade.

 

As velas, outrora cheias de esperança,

agora tremem, rasgadas de incerteza,

e o horizonte… ah, o horizonte…

 

é apenas um risco distante de mistério.

Mas quem é o comandante?

 

Quem segura o leme invisível

quando minhas mãos já não sabem mais guiar?

Quem conhece o mapa que não foi escrito?

Há uma voz… tão leve…

 

que não vem do vento nem do mar,

mas de um lugar mais fundo que o abismo —

talvez do céu escondido em mim.

 

Ela sussurra entre as ondas:

“Não temas o naufrágio,

pois nem todo afundar é perda,

há mergulhos que são caminhos.”

 

E então eu percebo —

o comandante não se revela aos olhos,

mas habita a fé que resiste

quando tudo parece se desfazer.

 

E sigo… à deriva, sim —

mas não mais sozinho,

pois mesmo no escuro das águas profundas,

há uma luz que sabe o caminho.

 

Além das estrelas…

existe um Reino que me chama pelo nome,

e ainda que meu barco se quebre,

minha alma… já aprendeu a navegar. 

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