Aí a neve
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Agosto de 2026 ás 06h 27min
Aí, a Neve...
Rosy Neves
A neve sombrolenta ainda cai todas as noites,
sobre os bancos abandonados das praças,
onde o silêncio se senta
para conversar com os fantasmas do tempo.
Ela cobre a vergonha alheia
dos galhos negros das árvores nuas,
como um véu branco sobre aquilo
que ninguém ousa confessar.
Foram essas árvores
que um dia levaram o outono do meu amor;
folha por folha,
suspiro por suspiro,
até deixar meu coração
nu diante do inverno.
Hoje choro com saudades de ti…
E a neve cai.
Cai sobre as ruas,
sobre os bancos vazios,
sobre as flores adormecidas
que ainda guardam, debaixo da terra,
a memória de uma primavera.
Cai sobre meus cabelos,
sobre minhas mãos cansadas,
sobre o lugar onde um dia
teu abraço aqueceu minha alma.
E eu pergunto ao céu,
baixinho, para que ninguém ouça:
Onde estás?
Talvez perdido
entre uma estrela e outra,
numa galáxia distante,
onde o inverno não conheça teu nome.
Ou talvez ainda caminhes
por alguma estrada invisível do universo,
carregando nos olhos
a mesma saudade que carrego nos meus.
A neve continua caindo…
E cada floco que toca o chão
parece uma lágrima do céu.
Eu permaneço aqui,
sentada no banco frio da praça,
abraçada ao silêncio,
esperando que o inverno se canse
de esconder aquilo que amamos.
Mas a neve…
Ah, a neve…
Ainda cai.
E enquanto ela cai,
eu te chamo em segredo,
como quem chama a primavera
para voltar do outro lado da eternidade.