Ainda há amor em ti

Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 06h 23min

Ainda há amor em ti. 

Um sussurro guardado 

na vastidão escura 

dos teus olhos negros. 

 

Olhos que viram 

o outono morrer, 

a folha solta, 

o frio morder a terra nua. 

 

Eles testemunharam 

o adeus silenciado, 

a promessa quebrada 

sob o céu cinzento. 

 

Mas se eu olho de perto, 

além da sombra do que passou, 

vejo um brilho teimoso, 

uma brasa que se recusa a apagar. 

 

Não é a chama voraz 

do verão passado, 

nem o fogo de celebração, 

mas uma luz mais funda, mais antiga. 

 

Como a água que corre 

sob o gelo fino, 

existe um fluxo contínuo 

que a memória não alcança. 

 

O outono levou muitas coisas, 

a leveza, talvez, a pressa de ser, 

mas não levou a essência 

que reside no teu olhar profundo. 

 

Ainda há amor em ti, 

como a raiz que espera 

pacientemente sob a neve dura, 

sonhando com a primavera que virá. 

 

É um amor maduro, 

feito de compreensão e de cicatrizes, 

que não grita, mas persiste, 

um refúgio silencioso. 

 

Em cada negro profundo, 

há um mapa de estrelas que ainda me guiam. 

O outono matou o jardim, 

mas não a semente plantada no teu peito. 

 

E eu vejo isso. 

Eu vejo a persistência gentil 

daquele amor que insiste em ser, 

mesmo depois do maior dos ventos. 

Ainda há amor em ti. 

Eu o encontro ali, 

na quietude dos teus olhos.

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