Ainda há luares nos olhos do rei
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Maio de 2026 ás 12h 55min
Ainda Há Luares nos Olhos do Rei
Ainda há luares nos olhos do rei,
pálidos reflexos de um tempo que foi,
guardados nas pálpebras como segredos
que o sono profundo jamais apagou.
Os olhos permanecem fechados,
selados por séculos de silêncio e pó,
mas sob as cortinas de carne e sombra
a lua ainda dança, prateada e só.
Dizem que ele sonha com reinos perdidos,
com batalhas travadas em campos de luz,
com vozes que o chamam do fundo dos tempos
pedindo que acorde, que volte, que conduza.
Mas quando eles se abrirem...
ah, quando eles se abrirem,
o mundo tremerá sob o peso do olhar
que carrega luas inteiras na íris,
que viu nascer estrelas e as viu se apagar.
Quando eles se abrirem,
os luares se espalharão como rios de prata,
inundando vales, montanhas e mares,
e tudo que estava esquecido
voltará a pulsar.
Ainda há luares nos olhos do rei.
E o rei ainda dorme.
Mas o despertar se aproxima
como a maré que não se pode conter.