ALUCINÓGENO

Poemas | | Tony Antunes
Publicado em 20 de Março de 2026 ás 19h 32min

ALUCINÓGENO 
Tony Antunes 

 

Ano passado morri mil vezes,
Acordei no fio da sarjeta,
Lambi a língua do Papa,
comi moscas à beira das 
                        [carniças.

 

Delirei demais com medo, medo,
                                      [medo...
A coisa aparecida não apareceu 
                                    [pra mim!

 

Cuspi aos ácaros dos pecados,
Arrotei nas curvas dos destinos,
Beijei o asfalto quente ao meio 
dia de um frio atormentador.

 

Sendo apenas um rapaz latinordestino,
Sertanejei meus débitos íntimos 
No calor da madrugada em solidão, 
Alucinei-me nos talhos das goivas 
Cortando minha alma em cem pedaços.

Palmares, 27/2/2025

 

RESPEITEM-SE OS DIREITOS AUTORAIS 
Lei 9610, 19 de fevereiro de 1998

Livro: DIGITAIS ABSOLUTAS, POEMAS ESCOLHIDOS

Comentários

Este poema sugere a dualidade entre o prazer e o perigo! O termo utilizado como título, "Alucinógeno", já insinua que é algo que faz bem no momento, causando euforia, mas que pode levar à perda de si mesmo, à desilusão, quando o efeito se esvai!

Lorde Égamo | 20/03/2026 ás 19:57
Responder Comentários

Lindíssimo poema adorei parabéns sucesso

Maria Lurdes | 20/03/2026 ás 20:06
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