Nosso amor caminha na sombra, calado,
feito segredo que a alma não esconde.
É chama acesa num tempo velado,
que queima em mim… e em ti, responde.
Não posso tocar tua vida à luz do dia,
mas te habito inteira, mesmo sem morada.
Teu olhar me diz o que a boca omitia
que tua saudade também é guardada.
Fingimos distância, negamos sinais,
mas quando te vejo, sei... somos iguais.
No peito, o mesmo fogo contido,
o mesmo desejo nosso e proibido.
Sei que sentes, mesmo se não dizes.
E mesmo longe, tuas ausências gritam.
Amores assim não pedem permissão,
só pedem abrigo no que ainda palpita.