Amores de outono

Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 18 de Fevereiro de 2026 ás 04h 16min

Ainda guardo em mim 

o mapa gasto 

de um amor que se foi 

com a brisa leve 

de um verão esquecido. 

 

Mas o chão de agora 

não é o mesmo de antes. 

Sob a pele fria 

da terra que dormiu 

sob a chuva fina 

do outono que findou, 

 

algo vibra. 

 

As folhas, 

antes castanhas e secas, 

promessas quebradas ao vento, 

agora são apenas húmus, 

rica cama escura 

onde a memória adormece 

e desperta. 

 

E ali, 

no silêncio úmido 

da espera longa, 

senti o calor. 

Não o fogo voraz 

do início incerto, 

mas uma brasa mansa, 

persistente. 

 

Vestígios. 

 

Sim, 

ainda há rastros 

do teu nome riscado 

na margem do meu peito. 

Poeira dourada 

de um tempo vivido. 

 

E o outono, 

o grande coveiro gentil, 

não enterrou tudo. 

Ele apenas cobriu, 

como quem protege 

uma semente preciosa 

do olhar apressado do sol. 

 

E a renovação, 

esta surpresa suave, 

nasceu da decomposição, 

do aceitar o fim 

como um novo princípio. 

 

É um amor antigo, 

sim, 

com a cicatriz visível, 

mas a raiz, 

profunda e teimosa, 

bebeu da água da paciência. 

 

Agora, 

sob o verde tímido 

que insiste em brotar 

onde só havia sombra, 

este amor se estica, 

lento, 

sem pressa de ser chama, 

apenas de ser luz 

suficiente 

para aquecer o presente. 

 

Um eco ressonante 

de um passado doce, 

reembalado 

no cheiro de terra molhada 

e na promessa 

de um dia que ainda não tem nome.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.