Aos poetas que ainda virão
| Cartas | 2026/8 Antologia A quem ainda escrevo? | Isolti CossetinPublicado em 12 de Agosto de 2026 ás 08h 55min
Aos poetas que ainda virão
Queridos poetas do futuro,
Não sei quando estas palavras chegarão até vocês.
Talvez quando meu nome já seja apenas uma pequena inscrição em algum lugar da memória. Talvez quando o mundo tenha mudado de rosto, quando as palavras tenham encontrado novas formas de chegar às pessoas e quando as cartas, como tantas coisas do meu tempo, tenham se tornado lembranças.
Mas espero que a poesia ainda exista.
E é por isso que escrevo.
Escrevo porque vivi.
Vivi dias de sol e dias em que precisei procurar a luz por entre as frestas.
Conheci a alegria que chega sem avisar e a tristeza que se demora mais do que gostaríamos. Conheci partidas, ausências, encontros, desencontros, abraços que permaneceram na alma e silêncios que disseram muito mais do que algumas palavras seriam capazes de dizer.
Aprendi que a vida não é feita apenas dos grandes acontecimentos.
Ela mora também nas pequenas coisas.
No cheiro da chuva.
Na primeira luz da manhã.
No café compartilhado.
Na voz de quem amamos.
Na árvore que floresce sem saber que alguém a contempla.
No vento que passa pelas folhas e parece contar segredos.
Na mão que se estende quando pensamos que não conseguiremos continuar.
Aprendi que as pessoas são feitas de muitas estações.
Há quem chegue como primavera.
Há quem nos atravesse como inverno.
Há quem deixe flores.
Há quem deixe cicatrizes.
E há aqueles que, mesmo depois de partirem, continuam morando em algum cômodo silencioso da nossa memória.
Não aprendi a julgar as pessoas apenas pelas suas aparências.
Aprendi a olhar um pouco mais fundo.
Cada pessoa carrega uma história que não conhecemos.
Cada sorriso pode esconder uma lágrima.
Cada silêncio pode guardar uma batalha.
Cada coração pode estar tentando sobreviver a uma tempestade da qual ninguém mais sabe.
Por isso, poetas do futuro, sejam gentis.
Olhem para as pessoas com mais ternura.
Antes de apontarem o dedo, tentem enxergar a ferida.
Antes de julgarem uma queda, perguntem quantas vezes aquela pessoa tentou se levantar.
O mundo já tem dureza demais.
Que a poesia não seja mais uma pedra.
Que seja ponte.
Que seja abrigo.
Que seja água para quem tem sede de esperança.
Durante a minha caminhada, descobri também que a dor não precisa ser o último capítulo.
Às vezes, ela é apenas a matéria-prima de um recomeço.
Há feridas que não desaparecem completamente, mas aprendemos a viver sem deixar que elas decidam quem somos.
Há perdas que nos modificam para sempre, mas também existem flores que só descobrimos dentro de nós depois de atravessarmos determinados invernos.
Por isso, se algum dia a vida lhes parecer pesada demais, escrevam.
Escrevam quando estiverem felizes.
Escrevam quando estiverem tristes.
Escrevam quando não entenderem o mundo.
Escrevam quando o coração estiver cheio.
Escrevam quando ele estiver vazio.
Escrevam para lembrar.
Escrevam para esquecer.
Escrevam para não enlouquecer diante das perguntas que não têm resposta.
Escrevam porque algumas dores não cabem na fala, mas encontram morada no papel.
E, sobretudo, não deixem a poesia morrer.
Não permitam que a pressa do mundo lhes roube o encantamento.
Não deixem que as telas substituam completamente o olhar.
Não deixem que os algoritmos lhes digam o que sentir.
Não permitam que a velocidade transforme tudo em descartável.
Continuem olhando para o céu.
Continuem admirando uma flor.
Continuem escutando a chuva.
Continuem percebendo a beleza de uma palavra bem colocada.
Continuem escrevendo cartas, mesmo que o mundo já não saiba esperar por elas.
Continuem dizendo “eu te amo”.
Continuem dizendo “perdoe-me”.
Continuem dizendo “obrigado”.
Continuem acreditando que uma palavra pode salvar alguém de um dia escuro.
Porque a poesia não está apenas nos versos.
Ela está na maneira como escolhemos olhar para a existência.
Está na delicadeza.
Na compaixão.
Na memória.
Na esperança.
No espanto diante de uma vida que, apesar de tudo, continua florescendo.
Talvez vocês encontrem um mundo diferente daquele que conheci.
Talvez encontrem máquinas capazes de fazer coisas que jamais imaginei.
Talvez descubram respostas para perguntas que carreguei durante toda a minha vida.
Mas espero que nunca percam as perguntas.
Elas também são poesia.
E quando vocês se perguntarem a quem escrever, escrevam para quem precisa ser lembrado de que ainda existe beleza.
Escrevam para quem perdeu a esperança.
Escrevam para quem está começando.
Escrevam para quem está terminando.
Escrevam para aqueles que não sabem colocar em palavras o que sentem.
E escrevam para vocês mesmos.
Porque haverá dias em que somente vocês poderão compreender a pessoa que existe por trás daquilo que escrevem.
Eu não sei se algum de vocês conhecerá meu nome.
Não sei se estas palavras sobreviverão ao tempo.
Mas isso já não importa tanto.
O que desejo é que alguma coisa permaneça.
Talvez uma frase.
Talvez uma emoção.
Talvez uma pequena chama acesa dentro de alguém.
E, se um dia vocês encontrarem esta carta, quero que saibam que foi escrita por alguém que acreditou profundamente na vida.
Alguém que chorou.
Que amou.
Que perdeu.
Que esperou.
Que recomeçou.
Que encontrou beleza depois da dor.
E que nunca deixou de acreditar que as palavras poderiam transformar aquilo que o tempo não conseguiu apagar.
Por isso, poetas do futuro, recebam de mim este último pedido:
Não deixem a poesia morrer.
Guardem-na como se guarda uma semente.
Plantem-na nos lugares onde houver desesperança.
Reguem-na com ternura.
Protejam-na do cinismo.
E quando o mundo parecer barulhento demais, sentem-se em silêncio diante de uma folha em branco.
Talvez seja ali que vocês voltem a encontrar a humanidade.
E talvez, entre uma palavra e outra, descubram que a poesia não morreu.
Ela apenas estava esperando por vocês.
Com carinho,
Isolti Cosseetin
uma mulher que acreditou nas palavras
Queridos poetas do futuro,
Não sei quando estas palavras chegarão até vocês.
Talvez quando meu nome já seja apenas uma pequena inscrição em algum lugar da memória. Talvez quando o mundo tenha mudado de rosto, quando as palavras tenham encontrado novas formas de chegar às pessoas e quando as cartas, como tantas coisas do meu tempo, tenham se tornado lembranças.
Mas espero que a poesia ainda exista.
E é por isso que escrevo.
Escrevo porque vivi.
Vivi dias de sol e dias em que precisei procurar a luz por entre as frestas.
Conheci a alegria que chega sem avisar e a tristeza que se demora mais do que gostaríamos. Conheci partidas, ausências, encontros, desencontros, abraços que permaneceram na alma e silêncios que disseram muito mais do que algumas palavras seriam capazes de dizer.
Aprendi que a vida não é feita apenas dos grandes acontecimentos.
Ela mora também nas pequenas coisas.
No cheiro da chuva.
Na primeira luz da manhã.
No café compartilhado.
Na voz de quem amamos.
Na árvore que floresce sem saber que alguém a contempla.
No vento que passa pelas folhas e parece contar segredos.
Na mão que se estende quando pensamos que não conseguiremos continuar.
Aprendi que as pessoas são feitas de muitas estações.
Há quem chegue como primavera.
Há quem nos atravesse como inverno.
Há quem deixe flores.
Há quem deixe cicatrizes.
E há aqueles que, mesmo depois de partirem, continuam morando em algum cômodo silencioso da nossa memória.
Não aprendi a julgar as pessoas apenas pelas suas aparências.
Aprendi a olhar um pouco mais fundo.
Cada pessoa carrega uma história que não conhecemos.
Cada sorriso pode esconder uma lágrima.
Cada silêncio pode guardar uma batalha.
Cada coração pode estar tentando sobreviver a uma tempestade da qual ninguém mais sabe.
Por isso, poetas do futuro, sejam gentis.
Olhem para as pessoas com mais ternura.
Antes de apontarem o dedo, tentem enxergar a ferida.
Antes de julgarem uma queda, perguntem quantas vezes aquela pessoa tentou se levantar.
O mundo já tem dureza demais.
Que a poesia não seja mais uma pedra.
Que seja ponte.
Que seja abrigo.
Que seja água para quem tem sede de esperança.
Durante a minha caminhada, descobri também que a dor não precisa ser o último capítulo.
Às vezes, ela é apenas a matéria-prima de um recomeço.
Há feridas que não desaparecem completamente, mas aprendemos a viver sem deixar que elas decidam quem somos.
Há perdas que nos modificam para sempre, mas também existem flores que só descobrimos dentro de nós depois de atravessarmos determinados invernos.
Por isso, se algum dia a vida lhes parecer pesada demais, escrevam.
Escrevam quando estiverem felizes.
Escrevam quando estiverem tristes.
Escrevam quando não entenderem o mundo.
Escrevam quando o coração estiver cheio.
Escrevam quando ele estiver vazio.
Escrevam para lembrar.
Escrevam para esquecer.
Escrevam para não enlouquecer diante das perguntas que não têm resposta.
Escrevam porque algumas dores não cabem na fala, mas encontram morada no papel.
E, sobretudo, não deixem a poesia morrer.
Não permitam que a pressa do mundo lhes roube o encantamento.
Não deixem que as telas substituam completamente o olhar.
Não deixem que os algoritmos lhes digam o que sentir.
Não permitam que a velocidade transforme tudo em descartável.
Continuem olhando para o céu.
Continuem admirando uma flor.
Continuem escutando a chuva.
Continuem percebendo a beleza de uma palavra bem colocada.
Continuem escrevendo cartas, mesmo que o mundo já não saiba esperar por elas.
Continuem dizendo “eu te amo”.
Continuem dizendo “perdoe-me”.
Continuem dizendo “obrigado”.
Continuem acreditando que uma palavra pode salvar alguém de um dia escuro.
Porque a poesia não está apenas nos versos.
Ela está na maneira como escolhemos olhar para a existência.
Está na delicadeza.
Na compaixão.
Na memória.
Na esperança.
No espanto diante de uma vida que, apesar de tudo, continua florescendo.
Talvez vocês encontrem um mundo diferente daquele que conheci.
Talvez encontrem máquinas capazes de fazer coisas que jamais imaginei.
Talvez descubram respostas para perguntas que carreguei durante toda a minha vida.
Mas espero que nunca percam as perguntas.
Elas também são poesia.
E quando vocês se perguntarem a quem escrever, escrevam para quem precisa ser lembrado de que ainda existe beleza.
Escrevam para quem perdeu a esperança.
Escrevam para quem está começando.
Escrevam para quem está terminando.
Escrevam para aqueles que não sabem colocar em palavras o que sentem.
E escrevam para vocês mesmos.
Porque haverá dias em que somente vocês poderão compreender a pessoa que existe por trás daquilo que escrevem.
Eu não sei se algum de vocês conhecerá meu nome.
Não sei se estas palavras sobreviverão ao tempo.
Mas isso já não importa tanto.
O que desejo é que alguma coisa permaneça.
Talvez uma frase.
Talvez uma emoção.
Talvez uma pequena chama acesa dentro de alguém.
E, se um dia vocês encontrarem esta carta, quero que saibam que foi escrita por alguém que acreditou profundamente na vida.
Alguém que chorou.
Que amou.
Que perdeu.
Que esperou.
Que recomeçou.
Que encontrou beleza depois da dor.
E que nunca deixou de acreditar que as palavras poderiam transformar aquilo que o tempo não conseguiu apagar.
Por isso, poetas do futuro, recebam de mim este último pedido:
Não deixem a poesia morrer.
Guardem-na como se guarda uma semente.
Plantem-na nos lugares onde houver desesperança.
Reguem-na com ternura.
Protejam-na do cinismo.
E quando o mundo parecer barulhento demais, sentem-se em silêncio diante de uma folha em branco.
Talvez seja ali que vocês voltem a encontrar a humanidade.
E talvez, entre uma palavra e outra, descubram que a poesia não morreu.
Ela apenas estava esperando por vocês.
Com carinho,
Isolti Cosseetin
uma mulher que acreditou nas palavras
Toledo/PR, 13 de agosto de 2026.