As conchas do mar

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Julho de 2026 ás 18h 27min

As Conchas do Mar

 

Rosy Neves

 

Eu ainda guardo o teu amor

nas pequenas conchas do mar.

Ali, onde o tempo se cala,

nenhuma onda consegue apagar

o nome que o destino escreveu

na areia invisível da minha alma.

 

Em dias de tempestade,

quando o oceano se revolta

e o céu veste luto de sal,

eu ouço as conchas chorarem.

É a melancolia de um amor

que se perdeu,

que naufragou

em um mar que não pertence a este mundo.

 

Hoje,

os meus olhos são dois Bósforos silenciosos,

estreitos por onde navegam

marujos errantes,

procurando vestígios

das conchas que o destino espalhou

entre as correntes da eternidade.

 

Mas eles não sabem...

Essas conchas não estão perdidas.

Eu as escondo

na obscuridade do coração,

onde nem a maré,

nem o esquecimento,

nem o inverno das despedidas

ousam entrar.

 

E quando a noite derrama

suas estrelas sobre as águas,

aproximo uma concha do peito

e escuto o teu nome

misturado ao rumor das ondas.

Então compreendo

que certos amores jamais morrem:

transformam-se em mares invisíveis,

habitam o silêncio,

e fazem da saudade

um porto eterno

para as embarcações da alma.

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