As dunas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 31 de Março de 2026 ás 13h 47min
As dunas se vestem de poesia
quando o vento desliza seus dedos invisíveis,
tecendo versos na pele dourada da terra
como quem escreve cartas ao infinito.
Há um silêncio antigo morando ali,
entre grãos que já foram montanhas,
entre passos que o tempo apagou
sem nunca apagar a memória do mundo.
O sol derrama sua luz líquida
e cada duna se curva em reverência,
como se soubesse que é passageira
mesmo sendo eternamente reescrita.
E o vento — ah, o vento —
poeta errante sem rosto,
declama em sopros suaves
segredos que ninguém consegue prender.
As sombras se alongam ao entardecer,
como versos que se esticam na página,
e o céu, pintado de fogo e melancolia,
assina o poema com cores impossíveis.
Ali, o tempo não corre — ele respira.
Cada instante é um suspiro de areia,
cada forma é um pensamento moldado
pela delicadeza da impermanência.
As dunas se vestem de poesia
porque sabem que tudo é passagem:
o vento que chega, o sol que parte,
os olhos que contemplam e se vão.
E ainda assim, resistem em beleza,
como quem aceita o destino com graça,
como quem entende que ser efêmero
é também uma forma de eternidade.