As espumas do mar

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 16 de Junho de 2026 ás 08h 10min

As Espumas do Mar

Por Rosy Neves

 

Ele voltava os olhos para as espumas do mar,

como quem procura retratos perdidos

nas páginas úmidas da eternidade.

 

As ondas vinham e partiam,

levando nos ombros de sal

as lembranças das coisas fugidas,

dos dias que dormem escondidos

sob a areia dos séculos.

 

Havia um tempo dobrado,

guardado entre as dobras do horizonte,

um tempo antigo e delicado,

bordado com fios de ouro e melancolia

em um tecido rasgado pelo destino.

 

E ele permanecia ali,

escutando os murmúrios da água,

como se cada espuma branca

sussurrasse nomes esquecidos

pelos jardins da memória.

 

O vento trazia perfumes distantes,

ecos de risos já calados,

promessas que o crepúsculo levou

para além das margens do mundo.

 

Então seus olhos se encheram de céu,

e seu coração, feito veleiro errante,

navegou pelos mares invisíveis da saudade.

 

Pois há coisas que nunca regressam,

mas continuam brilhando na alma

como estrelas afogadas no oceano,

e há amores e lembranças

que o tempo não consegue apagar,

porque foram escritos não na areia,

mas nas profundezas eternas do mar.

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