As estrelas fosforescente

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 29 de Março de 2026 ás 18h 46min

As estrelas fosforescentes

 

Há um silêncio antigo

pendurado na curva do céu,

onde as estrelas acendem

como lanternas de um mundo esquecido.

 

Elas não apenas brilham —

respiram.

Exalam um brilho suave,

fosforescente, quase vivo,

como se guardassem segredos

de tudo o que já existiu.

 

Fico a observá-las

com o coração entreaberto,

como quem espera uma resposta

que nunca veio da Terra.

 

Cada ponto de luz

é um sussurro distante,

um eco de tempos que não conheço,

um poema escrito antes da palavra.

 

E há nelas uma saudade estranha,

como se me chamassem pelo nome

que eu tinha antes de nascer.

 

Ah, estrelas...

por que brilham assim,

como lágrimas que não caem?

 

No escuro do universo,

vocês são cicatrizes luminosas,

marcas de explosões e despedidas,

flores que não murcham

no jardim do infinito.

 

E mesmo tão distantes,

tocam algo em mim

que é mais antigo que o tempo —

um desejo de ir,

de atravessar a noite,

de dissolver-me nessa luz tênue

e, enfim, compreender.

 

Mas fico aqui,

presa ao chão e à carne,

enquanto vocês continuam

a arder em silêncio,

fosforescentes, eternas,

como se fossem a memória

de um sonho que o universo

ainda não esqueceu. 

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