As estrelas sussurram segredos nas conchas do mar
Poemas | | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 09 de Abril de 2026 ás 16h 36min
As Estrelas Sussurram Segredos nas Conchas do Mar
As estrelas sussurram segredos nas conchas do mar,
e o vento, cúmplice antigo, leva ecos de prata
para os ouvidos da noite.
Eu ouço...
ou talvez seja o coração que escuta,
feito búzio esquecido na areia do tempo.
Há vozes que nascem do sal,
memórias que brilham entre as ondas,
como se o céu tivesse caído em gotas
para beijar o abismo azul.
Cada estrela é um nome,
cada nome, um destino que se dissolve
na espuma que dança e morre.
Eu ouço...
e o som é de infância,
de passos descalços correndo entre marés,
de promessas que o horizonte guardou
em baús de silêncio.
O mar fala em sílabas líquidas,
e nelas repousa o mistério
de tudo o que não se pode dizer.
As estrelas, pacientes,
tecem fios de luz sobre a pele das águas.
São tecelãs do invisível,
bordando sonhos nas marés do pensamento.
E quando o mundo adormece,
elas se inclinam, suaves,
para contar às conchas
os segredos que o universo teme revelar.
Eu ouço...
e o som me atravessa,
feito canto de sereia ou reza antiga.
Há um idioma que só o silêncio entende,
um idioma que nasce entre o brilho e o abismo.
Nele, o amor é uma onda que nunca se quebra,
é o murmúrio eterno
que une o céu e o mar.
As estrelas sussurram segredos nas conchas do mar,
e eu, pequena partícula de escuta,
sou apenas o eco que retorna,
a lembrança que o vento carrega,
a lágrima que o sal transforma em luz.
Eu ouço...
e, ao ouvir, torno-me também estrela,
tomo forma de concha,
e guardo em mim o segredo do mar.