As lágrimas são pérolas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 21 de Março de 2026 ás 06h 33min

As Lágrimas São Pérolas

 

Um mar que não se vê,

mas que reside no fundo,

na caverna macia do peito.

 

E de lá,

sob a pressão suave de um pensamento ausente,

ou de uma alegria que transborda tímida,

emergem.

 

Lágrimas,

gotas salgadas,

não de tristeza apenas,

mas de toda a vasta experiência humana.

 

Pérolas que nascem lentas,

com a precisão de quem lapida o tempo.

Cada uma com um brilho único,

refletindo a luz fraca de memórias antigas.

 

Elas rolam,

sem aviso prévio,

como se tivessem um destino traçado na curvatura do rosto.

 

Descem a colina da bochecha,

viajantes silenciosos em trilhas já conhecidas.

 

E na jornada,

na paisagem úmida da pele,

são as ondas de um oceano interno que se agita.

 

Ondas pequenas,

mas poderosas em seu movimento,

que carregam o peso levedo que foi guardado por tempo demais.

 

E o que buscam essas pérolas-água?

 

Buscam conchinhas perdidas.

 

Fragmentos de nós mesmos,

pequenas certezas,

aqueles momentos que se esfarelaram,

o som de uma risada esquecida,

a promessa que se desfez no ar.

 

Conchinhas frágeis,

que só o sal da lágrima pode limpar,

revelando seu interior nacarado.

 

Elas rolam,

levando consigo o pó do esquecimento,

tentando encaixar de novo o que a vida dispersou.

 

Um murmúrio de retorno ao leito original,

o mar distante que as gerou.

 

E quando finalmente caem,

no linho ou no chão,

desfazem-se em vapor,

deixando apenas a marca fria,

a evidência breve de que algo profundo

foi, por um instante,

trazido à superfície.

 

Pérolas de um mar que não se vê,

mas que nunca deixa de chorar e de buscar

o que se perdeu na areia fina do tempo.

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