As lamparinas das névoas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 27 de Julho de 2026 ás 14h 38min

As Lamparinas da Névoa

 

Rosy Neves

 

As lamparinas ainda sobrevivem

à sombra da névoa,

como pequenas sentinelas de um tempo

que o vento esqueceu de apagar.

 

Ela vem de muito longe,

vestida de tormentas,

trazendo nos braços do horizonte

um veleiro perdido

na encosta do céu.

 

É triste...

É triste...

 

Nenhum marinheiro canta.

Nenhuma bússola conhece o caminho.

Apenas o silêncio recolhe as âncoras

e as estrelas fecham os olhos

como se temessem recordar.

 

Dizem que esse veleiro

não pertence ao mar,

mas à memória das almas

que partiram antes do amanhecer.

 

E, quando a última lamparina vacilar,

alguém ouvirá um sino invisível

ecoando entre a névoa e o infinito.

 

Então compreenderá

que certas embarcações jamais naufragam;

apenas permanecem viajando

pelas margens secretas do céu,

onde a saudade se torna eternidade

e o mistério aprende a chamar pelo nosso nome.

 

Silêncio...

 

O veleiro ainda passa.

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