As margens do Bósforo antigo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 07 de Junho de 2026 ás 08h 17min
À Margem do Bósforo Antigo
Se eu soubesse que olhar para o rei
fosse um castigo tão profundo,
teria baixado os olhos
como as violetas do Oriente
quando a tempestade atravessa os jardins.
Ai, meu Deus!
Por que permitiste que eu visse
o brilho de tão distante estrela?
Agora minha alma navega sozinha
pelos antigos Bósforos do silêncio,
onde os barcos da saudade
deslizam entre névoas azuis
e luas feitas de melancolia.
As noites cresceram dentro de mim,
como ciprestes junto aos mausoléus,
e o vento repete teu nome
entre as cúpulas douradas
de uma cidade adormecida.
Ai, meu Deus!
Que Miguel, o Arcanjo, me suporte,
pois meus ombros são frágeis
para carregar tamanha lembrança.
Que ele estenda suas asas de luz
sobre este coração errante,
e transforme minhas lágrimas
em pequenas pérolas do mar.
Pois desde que contemplei o rei,
meus olhos nunca mais encontraram repouso;
eles permanecem voltados para o horizonte,
onde o céu e a água se abraçam
num eterno e silencioso adeus.
E eu continuo esperando,
à margem de um Bósforo antigo,
que a misericórdia de Deus
faça nascer uma aurora
sobre as ruínas da minha saudade.