As palavras estão em fulga
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 10 de Maio de 2026 ás 17h 15min
As palavras estão em fulga
As palavras fogem pelos dedos,
escorrem como água entre as mãos,
atravessam o silêncio em segredos,
deixando rastros de ilusões.
Elas correm pelo vento solto,
buscam abrigo em outros lábios,
fogem do verso quase pronto,
dançam em labirintos sábios.
Persigo-as pela madrugada,
mas elas somem no horizonte,
cada sílaba é uma estrada,
cada som, uma distante fonte.
Atravessam pontes de sentido,
cruzam rios de emoção,
deixam o poeta perdido
na margem da sua canção.
Fogem para o não-dito,
para o espaço entre o ser,
habitam o infinito
daquilo que não posso dizer.
E na travessia sem destino,
entre o que foge e o que fica,
teço com fio tão fino
a poesia que se multiplica.
As palavras são aves livres,
não se prendem, não se guardam,
atravessam mundos e fibres,
e em sua fuga, nunca tardam.
Mas mesmo fugindo, permanecem
na memória do que foi verso,
e em silêncio, reaparecem
quando atravesso o universo.