As palavras no jardim
| Poesia Lírica | 2026/06 Antologia Versos de raiz e chão | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Junho de 2026 ás 04h 49min
As Palavras no Jardim
As palavras nascem em silêncio,
num jardim enevoado,
onde a bruma acaricia as folhas
e o tempo se dissolve,
como um sonho que se estende
em cada respiração.
Da minha alma,
surgem raízes profundas,
entrelaçando histórias,
sussurros de memórias,
fios de vida que dançam
na sombra do passado.
Lá, onde as flores se abrem
como sorrisos tímidos,
a luz da manhã desliza
suave, quase uma confidência,
e o sol chega mais cedo,
derramando calor
sobre a terra molhada.
Em cada pétala,
um verso,
em cada gota de orvalho,
um poema nascido,
esperando o momento certo
para se libertar
do abraço do silêncio.
O vento traz consigo
as canções perdidas
dos pássaros que existem
apenas na minha lembrança,
melodias que se entrelaçam
com os murmúrios do jardim,
uma sinfonia de vida.
E eu,
jardineiro das palavras,
cultivo esse espaço sagrado,
onde os sonhos florescem
e os sentimentos se tornam
frutos doces ao paladar,
colhidos com carinho,
prontos para serem compartilhados.
A bruma se dissipa gradualmente,
revelando a beleza sutil
que antes estava oculta,
os altos ciprestes,
as flores silvestres,
tudo ao meu redor
conta uma história.
E assim as palavras crescem,
emaranhadas,
como as raízes que buscam
a profundidade do ser,
em busca de água,
em busca de luz,
num ciclo eterno de descoberta.
Lá, onde o sol chega mais cedo,
encontro a coragem
de deixar as palavras voarem,
como borboletas leves,
perfumadas de significado,
transformando o silêncio
em uma reverberação de vida,
em um legado que ecoa,
como uma risada ao longe.
E eu,
mero espectador e criador,
perpetuo este milagre,
neste jardim enevoado,
onde as palavras nascem,
onde o sol e a sombra
compõem uma beleza única,
onde cada sussurro é um chamado,
uma dança de raízes e sonhos,
ambas unidas,
neste universo profundo,
neste abismo de luz e palavra.