Asas que aprenderam a voar

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 18 de Junho de 2026 ás 19h 28min

Asas que Aprenderam a voar.

De Rosy Neves

 

Eu juro que tentei.

Tentei me diminuir, como quem dobra as próprias estrelas para caber dentro de um céu pequeno.

Silenciei canções, escondi sonhos, apaguei pedaços de mim para que o coração do outro não se assustasse com a imensidão da minha alma.

 

E nessa travessia, machuquei?me.

Fui pássaro ferido, com as penas encharcadas de tristeza, caindo entre tempestades que eu mesma não sabia nomear.

Muitas vezes chorei à sombra de esperanças quebradas, perguntando aos ventos por que o amor exige, às vezes, que sejamos menores do que somos.

 

Mas a dor foi mestra.

E das lágrimas, nasceu uma lição.

 

Hoje, já não sou o pássaro que implora abrigo.

Sou borboleta.

Borboleta de asas abertas, coloridas pelas cicatrizes que sobreviveram ao tempo.

 

Já não procuro jardins eternos, nem desejo repousar em coração algum.

Prefiro o céu.

Prefiro a liberdade dos horizontes que não prometem permanência.

 

E assim voo.

Voo sobre os vales da saudade, sobre os rios das antigas feridas, sobre tudo aquilo que um dia tentou me prender.

 

E se um dia minhas asas vierem a se quebrar pela fúria indomável do vento,

que seja no alto.

Que seja enquanto danço com as nuvens e as estrelas.

 

Pois aprendi que há destinos mais nobres do que pertencer.

Há a coragem de ser livre.

E essa liberdade, ainda que breve, vale mais do que uma vida inteira vivida dentro da gaiola de um coração que nunca soube acolher o meu.

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