Barquinho de papel
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 08 de Maio de 2026 ás 18h 26min
Barquinho de Papel
Barquinho de papel
navegando sobre águas de lembrança,
com as velas feitas de silêncio
e os remos bordados de esperança.
Marinheiros sujos de mar,
com sal grudado nos olhos
e tempestades dormindo nas mãos,
ouvem ao longe
um sino antigo tocar.
Tão triste.
Tão fundo.
Como se chamasse pelo nome
aqueles que se perderam
na curva das ondas.
O sino toca devagar
sobre a tarde cinzenta,
e cada badalada
parece abrir uma ferida
no coração do vento.
Barquinho de papel,
não afunda ainda.
Leva contigo os sonhos frágeis
dos que amaram demais
e ficaram olhando o horizonte
até o céu virar saudade.
Os marinheiros se calam.
Só o mar responde.
E o sino continua tocando
na velha torre do infinito,
como uma oração
perdida entre espuma e estrelas.