Barquinho de saudade
Saudades | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 21 de Maio de 2026 ás 15h 52min
Barquinho de Saudade
de Rosy Neves
A saudade embarcou
num barquinho de papel,
levando nos olhos antigos mares
e no peito um céu de adeus.
Foi rumo a Portugal,
atravessando ventos cansados,
ondas bordadas de silêncio
e gaivotas de oração.
— Ai, meu Deus…
e se naufragar no meio da noite?
e se o oceano engolir
os sonhos frágeis de papel?
Mas o mar, às vezes,
tem mãos de pai.
E Deus acende estrelas
para quem navega chorando.
Dentro dos bolsos da saudade
havia pequenas conchinhas,
guardadas como relíquias
de um verão que não voltou.
Cada concha carregava
um pedaço da tua voz,
um riso dormindo na areia,
um abraço esquecido pelo tempo.
E quando o barquinho chegou
às margens distantes de Lisboa,
a saudade abriu os bolsos devagarinho
e entregou as conchinhas ao vento.
Então o oceano cantou baixinho,
como quem conhece todos os retornos:
“Quem ama nunca naufraga por inteiro…
sempre deixa poesia boiando sobre as águas.”