Borboleta e o tempo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 19 de Maio de 2026 ás 12h 34min

A Borboleta e o Tempo

 

de Rosy Neves

 

No jardim onde o tempo adormece,

uma borboleta silenciosa

abriu as asas como quem abre

as páginas frágeis do destino.

 

Ninguém ouviu teu nascimento.

Veio leve —

feita de brisa, pólen

e pequenos fragmentos de aurora.

 

Voaste pouco.

Tão pouco…

Que o vento mal conseguiu

decorar teu nome.

 

Mas por onde passaste,

as flores inclinaram o rosto

como velhas sacerdotisas

diante de um milagre breve.

 

Havia nos teus movimentos

uma tristeza delicada,

como se soubesses

que toda beleza da Terra

é apenas visita.

 

A tarde te olhava em silêncio.

Os rios diminuíam o rumor das águas.

Até o céu parecia conter o próprio azul

para não ferir tua delicadeza.

 

E então partiste.

Talvez rumo a um jardim invisível

atrás das estrelas esquecidas,

onde as borboletas dormem

sobre lírios de eternidade.

 

Ficou somente o vazio doce

do teu breve voo —

como um sonho leve

que toca a alma

e desaparece antes do amanhecer.

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