Bósforos invisíveis
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 24 de Junho de 2026 ás 08h 47min
Bósforos Invisíveis
Rosy Neves
Eu via os olhos do Rei
me procurando pelas ruínas da antiga Turquia,
entre colunas quebradas pelo tempo
e pedras que ainda guardavam o eco dos impérios.
Seus passos atravessavam os corredores do passado,
onde o vento recitava nomes esquecidos
e os minaretes de sombra tocavam
o céu cor de âmbar do entardecer.
Mas eu não estava lá.
Já havia partido.
Barcos de névoa me levaram para longe,
além dos Bósforos invisíveis das estrelas,
por mares que nenhum mapa conhece
e por correntes que nascem no silêncio do infinito.
Naveguei entre constelações adormecidas,
onde luas de prata repousavam
sobre águas feitas de sonho e saudade.
Ainda assim, eu sentia o olhar do Rei.
Ele me buscava além dos séculos,
além das muralhas caídas de antigas cidades,
além das portas douradas da memória.
E enquanto os barcos seguiam viagem
pelos rios secretos do firmamento,
meu coração permanecia voltado para trás,
como uma lanterna acesa na neblina.
Pois há amores que nem as estrelas conseguem esconder,
e há reis que continuam procurando
mesmo quando a alma amada
já navega pelos Bósforos invisíveis do céu.