BREVÍSSIMO ENSAIO SOBRE A CATADUPA E A I OFICINA DE CATADUPAS DO BRASIL - 2025

Ensaios | | Jaque Monteiro
Publicado em 16 de Novembro de 2025 ás 16h 30min

CATADUPA – NOVO GÊNERO

POÉTICO BRASILEIRO

 

jaque monteiro

 

 

A Catadupa é um tipo de poema criado por jaque monteiro há alguns anos, mas que só se tornou pública na primavera de 2025.

A Catadupa recebe esse nome, porque lembra uma cascata ou uma escadaria, isso se deve à quantidade e à disposição específicas de palavras em cada verso.

 

ESTRUTURA DA CATADUPA

 

Em relação à quantidade de versos por estrofe

 

Os poemas podem ser escritos em tercetos, quartetos ou quintetos, sem número máximo de estrofes, mas com, no mínimo, duas, para se manter a estrutura típica que caracteriza o gênero.

 

Catadupas com apenas duas estrofes são chamadas de Catadupinhas.

 

Se o poema for em tercetos (três versos), o primeiro verso tem uma palavra, o segundo, duas, o terceiro, três.

Para catadupas em quartetos (quatro versos), o primeiro verso tem uma palavra, o segundo, duas, o terceiro, três, o quarto, quatro palavras.

Para catadupas em quintetos (cinco versos), o primeiro verso tem uma palavra, o segundo, duas, o terceiro, três, o quarto, quatro, o quinto, cinco palavras.

 

Podem ser feitas Catadupas em sextetos, porém o verso precisa ficar na mesma linha, não deve ser cortado e continuado na linha posterior, pois desconfiguraria a estrutura do poema.

 

Já a Catadupa Mista possui três estrofes dispostas da seguinte maneira: a primeira estrofe é escrita em tercetos, a segunda, em quartetos, a terceira, em quintetos.

Permite-se a junção de duas ou mais Catadupas Mistas, nesse caso, ela será chamada de Catadupa Mista Emendada, em alusão a águas emendadas.

 

Palavras de cada verso

 

Todas as palavras são contadas, inclusive conjun­ções, artigos, interjeições, contrações com apóstrofos e cada vocábulo das palavras compostas.

 

As letras iniciais dos versos de cada estrofe

 

As palavras que iniciam todos os versos de sua estrofe começam com a mesma letra.

A escolha das letras iniciais da estrofe é feita da seguinte forma:

 

- identifique a última palavra da estrofe. Observe com que letra ela começa. Essa será a letra inicial das palavras que começarão todos os versos da próxima estrofe, e assim sucessivamente.

Observação: a explicação acima só não vale para a primeira estrofe, ocasião em que a letra inicial dos versos da estrofe será ditada pela letra inicial da primeira palavra do primeiro verso do poema.

 

Sobre as rimas

 

As Catadupas possuem rimas, as quais são determinadas pela primeira palavra de cada estrofe.

 

RECAPITULANDO

 

Quando for escrever uma Catadupa, preste atenção ao seguinte:

 

  • quantidade de palavras por verso;
  • letra inicial das primeiras palavras de cada verso da estrofe;
  • rimas.

 

 

OUTRAS CARACTERÍSTICAS

 

O gênero possui TÍTULO e é todo escrito com letras maiúsculas; isso faz lembrar um rochedo de onde escorre a cascata de versos. Pula-se uma ou duas linhas antes de começar o texto do poema.

 

A assinatura (autoria) vem ao final, entre parênte­ses. Ela não pode ser toda em caixa-alta; ou se escreve como o padrão, primeiras letras maiúsculas, ou toda com letras minúsculas. Pula-se pelo menos uma linha entre o texto e a assinatura.

 

Todas as palavras do poema são escritas com letras minúsculas, inclusive os nomes próprios, os nomes de lugares, letras iniciais dos versos etc.

 

Os versos não possuem pontuação ao final, exceto quando for pergunta ou exclamação, ainda assim o próximo verso começará com letra minúscula. Já no meio do verso, a pontuação é livre, todavia as letras das palavras a seguir continuam sendo minúsculas.

 

Uma outra dica é a escolha das palavras e a disposição delas nos versos, de forma que o tamanho dos versos da estrofe dê a sensação de uma cascata, do menor para o maior, sempre.

Por exemplo, o segundo verso não pode ficar menor que o primeiro, ou o terceiro não deve ficar menor que o segundo.

 

O alinhamento do texto pode ser à esquerda (mais recomendado), centralizado ou à direita (menos indicado). Os alinhamentos à esquerda e à direita dão a sensação de cascata lateral, já os alinhamentos ao centro dão a ideia de cascata central.

 

A Catadupa é ideal para construções coletivas, visto que ela não exige limite no número máximo de estrofes.

 

Lembre-se de que as estrofes da Catadupa NÃO são frases picotadas e nem são palavras soltas desconectadas. Pense no sentido, na coesão, na coerência e na poesia do texto.

 

A seguir, temos um exemplo de Catadupa em terceto, em quarteto, em quinteto, uma Catadupinha e uma Catadupa Mista.

PATRIARCAICO

 

vento

voa lento

versa muda, alento

 

arrepia

assopra, expia

acorda essa utopia

 

urge

uivante, surge

urgente vem, insurge

 

irradia

instiga rebeldia

irrompe arcaica voivodia

 

(jaque monteiro – Catadupa terceta)

LETRA ALUMIADA

 

lucivéu

listrado dossel

lusco-fusco véu

lumia palavras no papel

 

paridas

plurais, floridas

partenogênese de vidas

placebo das minhas feridas

 

flechas

furam brechas

fomentam fomes ventrechas

fiapos contorcidos em mechas

 

metaverso

militante verso

moldado e controverso

moldura de avesso inverso

 

ilumina

inócua lamparina

invoca letra menina

irrompe o casulo, agripina

 

(jaque monteiro – Catadupa quarteta)

DOÇURAS DA PAIXÃO ESTREADA NO CAMPO

 

bananeira

beldade roceira

brota na ribanceira

balança ao vento, faceira

beija sorrateira, galhos de amoreira

 

amora

adocicada aurora

acalenta sem demora

amores agridoces estreados agora

assanhados, emergentes, urgentes toda hora

 

hesitantes

hígidos visitantes

húbris chamas militantes

herege fogueira dos amantes

hirta os pelos, explosões delirantes

 

delícia

doce blandícia

desejo saciado, carícia

delicados afagos sem malícia

dentes-de-leão, paisagem propícia

 

(jaque monteiro – Catadupa quinteta)

CASAMENTO ARRANJADO

 

atos

acordos insensatos

amores tépidos, caricatos

 

coisificados

contratos firmados

corações gélidos, desinteressados

 

(jaque monteiro – Catadupinha terceta)

ALQUIMIA

 

lua

letra nua

legitimo-me sua

 

silencio

sozinha balbucio

sigiloso ritual luzidio

sorvo verbo carnal, arrepio

 

atravesso

arredio reverso

arvoro além-universo

absorvendo magia de verso

aldrava áurea anuncia meu regresso

 

(jaque monteiro – Catadupa mista)

I OFICINA DE CATADUPAS

DO BRASIL – 2025

 

 

Período de realização da Oficina: outubro e novembro de 2025.

 

jaque monteiro: autora da Catadupa, ministrante e coordenadora.

noi soul: coordenadora.

 

A primeira pessoa a tomar conhecimento da Catadupa foi noi soul, que logo quis experimentar, gostou da proposta e levou-a para o seu Projeto Pulsão Poética, onde mais pessoas aderiram à experiência.

Em outubro de 2025, nasceu a I OFICINA DE CATADUPAS DO BRASIL, uma parceria entre jaque monteiro, a criadora do gênero poético, ministrante e coordenadora da Oficina, e noi soul, que passou a ser a Madrinha da Catadupa e coordenadora da Oficina.

Muitas catadupas foram escritas durante o projeto e estão registradas nas páginas adiante.

 

Com alegria, destaco as primeiras e os primeiros Catadupistas brasileiros formados na I OFICINA DE CATADUPAS DO BRASIL – 2025:

 

Adailton Lima (BA), Carlos Onkowe (SP), Eidi Martins (MT), Giovanna Barros (CE), Magno Assis (MG), Mari Rima (BA), noi soul (BA), Patuska Quokka (DF), Pedro Garrido (RJ) e Renato Lannes (RJ).

 

Faço uma menção especial a Enoque Gabriel, o primeiro Catadupista da segunda geração de poetas do gênero, não participou da Oficina, mas aprendeu observando a produção no grupo de WhatsApp Pulsão Poética.

 

Livro: I OFICINA DE CATADUPAS DO BRASIL

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