Carta ao meu Eu lírico do passado e ao meu Eu lírico do futuro

| Poesia Lírica | 2026/8 Antologia A quem ainda escrevo? | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 03 de Agosto de 2026 ás 20h 19min

Carta ao meu Eu Lírico do Passado e ao meu Eu Lírico do Futuro

 

Rosy Neves

 

Ao meu Eu lírico do passado...

 

Ainda ouço teus passos atravessando jardins que já não existem. Teus olhos carregavam amanheceres partidos, mas, mesmo entre ruínas, recolhiam flores que ninguém mais via. Tu choravas em silêncio, enquanto o mundo aprendia a esquecer a delicadeza das coisas pequenas.

 

Perdoa-me por todas as vezes em que te pedi força quando tudo o que desejavas era um pouco de abrigo. Hoje compreendo que tu nunca foste fraco. Eras apenas um coração grande demais para um tempo pequeno.

 

As lágrimas que derramaste não se perderam. Tornaram-se rios invisíveis, onde hoje navegam meus versos. Cada despedida que viveste transformou-se em uma canção que o piano ainda insiste em tocar nas salas silenciosas da alma.

 

Agora escrevo ao meu Eu lírico do futuro...

 

Se um dia estas palavras chegarem às tuas mãos, espero que ainda saibas conversar com as estrelas. Que o vento continue encontrando teus cabelos, e que os pássaros ainda reconheçam teu nome.

 

Não deixes que o tempo endureça aquilo que Deus fez para florescer. Guarda a ternura como quem protege a última lamparina acesa antes da noite eterna. Continua escrevendo, ainda que ninguém escute; continua amando, ainda que o amor pareça navegar por mares sem porto.

 

Se algum dia te sentires perdido, lembra?te de nós dois: daquele que chorou para aprender a viver e daquele que sonha para não esquecer de existir.

 

Entre o passado e o futuro existe apenas uma ponte feita de poesia. É sobre ela que caminho, levando nas mãos um ramo de esperança, nos olhos o brilho das constelações e no peito um coração que ainda acredita que as palavras podem vencer o silêncio.

 

Com eterna saudade do que fui e infinita esperança no que ainda serei,

 

O teu Eu lírico,

que habita o presente como um viajante entre as margens do tempo.

Comentários

Profunda identidade de sabe quem é, de quem sabe atravessar pelas mazelas que o tempo lhe impôs, mas, todavia, não perde seu valor e dignidade, pelo contrário deixa um recado para seu eu lírico: "por nada perca a sua doçura, pois este é um dos mais traços fortes de sua essência.

Keila Rackel Tavares | 03/08/2026 ás 21:54
Responder

Este texto possui intensa reflexão existencial e sensibilidade poética. É um manifesto sobre a autoaceitação e a esperança!

Lorde Égamo | 04/08/2026 ás 13:01
Responder

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