Carta lírica a Miguel São Arcanjo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Agosto de 2026 ás 18h 32min
Carta a Miguel, São Arcanjo
Rosy Neves
Querido Miguel, São Arcanjo,
Perdoa-me por escrever-te
nessas alturas da vida…
Perdoa-me!
Eu ainda escrevo poesias.
Ainda teço, com fios quase invisíveis,
palavras no tecido azul do infinito.
É raro, eu sei…
mas, de vez em quando,
algumas palavras loucas escapam
das profundezas da minha alma
e saem voando pelo céu,
como estrelas cadentes errantes,
sem destino, sem morada,
procurando talvez
um lugar onde possam descansar.
Às vezes, parecem dois amantes
dançando na eternidade,
entre a sombra e a luz,
na imensidão silenciosa do Cosmo.
Eu confesso, Miguel…
Minhas mãos estão trêmulas.
As penas perderam suas tintas,
e os antigos jardins dos meus versos
já não florescem como antes.
Mas ainda escrevo.
Ainda há uma pequena chama
escondida entre os escombros do silêncio.
Ainda há uma pena que insiste
em riscar o papel,
deixando sobre ele
um traço solitário,
como o risco luminoso
de um grande cometa
atravessando a noite.
Miguel!
Meu querido São Arcanjo…
Perdoa-me pelos versos trêmulos,
pelas palavras escassas,
pelas estrelas que já não sei
como fazer nascer.
Perdoa-me se minha poesia
chega até ti cansada,
com as asas feridas
e os olhos cheios de saudade.
Mas acredita…
Ainda existem palavras em mim.
Poucas, talvez.
Quase sussurros.
Pequenas nebulosas perdidas
no oceano profundo chamado alma.
Ainda existe poesia.
Ainda existe uma estrela
que se recusa a morrer.
E enquanto houver essa pequena centelha
acesa no fundo do meu silêncio,
continuarei escrevendo…
Mesmo que seja apenas
uma palavra por noite,
um verso por madrugada,
um suspiro deixado
nas margens do infinito.
Então, Miguel,
meu grande amigo,
não te assustes com meus versos trêmulos.
Recebe-os assim mesmo.
São tudo o que ainda consigo
oferecer ao céu.
Perdoa-me, grande amigo…
Se minhas palavras chegarem até tuas asas,
guarda-as entre as estrelas.
Talvez um dia,
quando eu já não souber mais escrever,
elas possam me lembrar
que, em algum lugar do infinito,
houve uma poetisa
que nunca deixou completamente
de sonhar.
Com carinho e saudade,
A Poetisa das Estrelas